terça-feira, 20 de março de 2012

O uso de documentos históricos no ensino de história


O uso de documentos históricos em sala de aula faz-se extremamente necessário, pois permite ao aluno ampliar o entendimento de objetos de estudo cuja compreensão necessita de contextualização histórica e sociocultural. Outra justificativa para o uso de documentos em sala é que isso permite acrescentar a dimensão do tempo à compreensão do social. A análise documental favorece a observação do processo histórico em si, em todos os aspectos da organização e da representação da vida em sociedade. O aluno, portanto, tem a oportunidade de confrontar a bibliografia utilizada em sala de aula com a documentação e compreender as relações entre historiografia e história. Assim, o uso de documentos justifica-se pelas contribuições que oferece para o desenvolvimento do pensamento histórico. A ideia que nutre e cimenta esta proposta é superar, fundamentalmente, a transmissão de conteúdos cristalizados pela historiografia. Espera-se que o aluno domine o fazer da pesquisa, saiba ler, interpretar e diferenciar documentos e linguagens, desenvolvendo suas habilidades operatórias.
Esse método permite a dinamização da aula, pois foge do padrão de aulas expositivas, que predomina no ambiente acadêmico. O aluno deixa de ser um mero espectador para ser um sujeito ativo no processo de ensino-aprendizagem. Essa prática redimensiona os papéis socais de professores e alunos, pois ensinar é estabelecer relações interativas que possibilitem ao educando elaborar representações pessoais sobre os conhecimentos, objetos de ensino e aprendizagem.
Lucien Febvre, em Combates pela História, deixou um alerta para o historiador: no ato de interpretar a realidade, “(...) é preciso saber pensar”[1]. No tocante à leitura crítica de documentos, esse “saber pensar”, grosso modo, é possuir habilidades para “desconstruir” os discursos explícitos e implícitos contidos nos registros históricos. Esse processo ocorre sob a orientação do professor e a participação dos alunos, a partir de um processo de reflexão: a leitura criteriosa do documento, o debate gerado em torno dos documentos e da historiografia, a análise individual de cada aluno tendo a bibliografia de sala de aula como apoio. As opiniões e conclusões construídas pelos alunos possibilitam a discussão e questionamento de conceitos e de ideias preestabelecidas na historiografia. No entanto, vale ressaltar que essa construção do conhecimento histórico não tem por objetivo criar algo novo, “superar” o saber acerca de um determinado assunto, mas possibilitar ao aluno a oportunidade de refletir sobre o curso, a disciplina e a historiografia.


[1] FEBVRE, L. Combates pela História. Lisboa: Editorial Presença, 1977. vol. 1. p. 57.

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